Hugo Gonçalves: «O que vem da extrema-direita é de um vazio tremendo»
Nesta entrevista, Hugo Gonçalves viaja pelo universo do mais recente romance, O Império do Fim, mas também pela atualidade social e política.
Nesta entrevista, Hugo Gonçalves viaja pelo universo do mais recente romance, O Império do Fim, mas também pela atualidade social e política.
O verdadeiro drama social é ter as associações de moradores excluídas do conselho municipal de habitação, no qual estão representados os construtores civis, os agentes imobiliários e os proprietários.
Moedas confunde Jorge Palma com Sérgio Godinho como Montenegro citou Saramago a julgar que era Sophia. Um país que começa a confundir os seus poetas, os seus escritores e os seus músicos corre o risco de descobrir demasiado tarde que também está a perder a memória.
O que está em jogo não é o futuro dos livros, mas o futuro da capacidade humana de criar sentido, beleza e verdade num mundo cada vez mais complexo e desigual. A Literatura sobreviverá não como relíquia do passado, mas como farol do futuro.
Será a festa o melhor antídoto para a extrema-direita? Enquanto os movimentos conservadores apertam o seu domínio sobre a política europeia e procuram capturar a cultura, um contraciclo de «Artivistas» emerge para reinspirar a Europa.
Slavoj Žižek defende o que se tem tornado óbvio para as vítimas do sistema redistributivo: o facto de permanecer dentro da lógica organizativa capitalista impede-o de funcionar de forma justa e igualitária.
A escritora Filipa Martins defende que «a extrema-direita não quer acabar com as desigualdades sociais, porque as desigualdades sociais são aquilo que a alimenta. Eles não querem uma sociedade funcional, não querem uma sociedade igualitária, porque isso seria a sua morte».
Nesse enfraquecimento da vida colectiva, abre-se o vácuo que permite à mercantilização rédea solta para escavar novas vias, oferecendo alternativas que são uma e a mesma: a da gratificação imediata.
As casas-teatro são perigosas, porque são dissidentes, não-normativas, alternativas, ambíguas, múltiplas, causam desconforto, questionam narrativas oficiais, e pior, fazem as pessoas sentir. Elas não operam apenas no plano da lógica e não pretendem nenhuma verdade absoluta. São um acontecimento colectivo.
Num jardim bem aromático do Porto, Byung-Chul Han tirou a tarde para desafiar Nietzsche, a liberdade, a sustentabilidade e alguns médicos. E, quem sabe, talvez saia do Porto com inspiração para escrever «A Sociedade da Incompetência».
Na Berlim de 1928, Brecht e Weill estreiam a Ópera dos Três Vinténs. Segundo as crónicas da época, a sala estava cheia. Tão cheia como cheios estamos, hoje, do Luís.
Quatro poemas inéditos de Mosab Abu Toha, a ser publicados em «Coisas que podes encontrar escondidas na minha orelha». Há uma campanha de crowdfunding a decorrer para apoiar o livro, descobre aqui como ajudar.