Na Índia os ares andam agitados. Krishna parece estar irritada com a conduta do primeiro-ministro Modi, esse produto fermentado em Bollywood. De facto a irritação não é de Krishna mas sim da juventude que saiu em protesto para as ruas. As coisas chegaram ao ponto de o presidente do Supremo Tribunal ter acusado os jovens desempregados do país de serem parasitas e «baratas». Como resposta o movimento de protesto criou o Partido Popular da Barata (CJP).
Na Índia os ares andam agitados (..) e a juventude saiu em protesto para as ruas. As coisas chegaram ao ponto de o presidente do Supremo Tribunal ter acusado os jovens desempregados do país de serem parasitas e «baratas». Como resposta o movimento de protesto criou o Partido Popular da Barata (CJP).
Este movimento iniciou-se pelos estudantes em protesto contra o ministro da Educação (já ouvi esta história noutras latitudes), acusado de ser responsável por problemas com os exames nacionais, forçando milhares de estudantes a repetirem exames (afinal, da Índia não é só um historial de especiarias). Os estudantes exigiram a demissão do ministro, mas o protesto foi alargado a outros sectores da juventude indiana e Modi, o bollywoodiano (para quem não sabe Bollywood é a Hollywood lá da Índia) passou a ser o centro dos protestos.
À crise no ensino juntou-se o desemprego e a precariedade. Claro que, para Modi, a economia indiana é um exemplo para o mundo (também já ouvi isto noutras latitudes), mas os dados de desemprego estão completamente adulterados (não é só um problema da Índia) e as pessoas que, por exemplo, andam a vender amendoins pelas ruas de Nova Dehli, não são contabilizadas como desempregadas e fazem parte do universo mitológico da economia de Modi. Um facto é que existe uma crise de desemprego que percorre a sociedade indiana de cima a baixo e, seguindo os indicadores, a IA é a grande responsável.
À crise no ensino juntou-se o desemprego e a precariedade. Claro que, para Modi, a economia indiana é um exemplo para o mundo (também já ouvi isto noutras latitudes), mas os dados de desemprego estão completamente adulterados (não é só um problema da Índia). Um facto é que existe uma crise de desemprego que percorre a sociedade indiana de cima a baixo e, seguindo os indicadores, a IA é a grande responsável.
Perante um futuro incerto, as «baratas» e os «parasitas» movimentam-se pelos seus direitos. Provavelmente Krishna sorri perante a aflição do capitalismo hindu. Mas nas ruas a esperança renasce em movimento como uma roda de tear (charkha). Fiquemos com Anoushka Shankar, filha de Ravi Shankar:
Noutro continente está Cuba. E quero falar de Cuba por um motivo: o lento genocídio a que os cubanos estão a ser submetidos. Não sou um admirador da ditadura verde oliva que nasceu sob a esperança democrática do 26 de Julho. A real politik da guerra fria, o imperialismo estado-unidense, os cubanos que residem nos EUA, a Fundação Cubana-Americana, a direita cubana, o regime burocrático, o Totalitarismo de Havana e o Imperialismo de Washington, são tudo factores que conduzem os cubanos a uma morte lenta e a distúrbios mentais e neurológicos diversos.
Para Trump e para os seus servos dava jeito uma ilha feita de casinos, turismo sexual, hotéis e bordéis. Para os cubanos a busca de soluções democráticas parece uma impossibilidade. A alienação predomina. Talvez para fazer esquecer as barrigas vazias, a falta de luz e a desgraça de ter nascido ao lado do império.
Para Trump e para os seus servos dava jeito uma ilha feita de casinos, turismo sexual, hotéis e bordéis. Para os cubanos a busca de soluções democráticas parece uma impossibilidade. A alienação predomina. Talvez para fazer esquecer as barrigas vazias, a falta de luz e a desgraça de ter nascido ao lado do império. Vamos ficar com Pucho Brown, representante do novo Cubop, uma mistura de Bebop ianque com música afrocubana, uma das muitas tentativas democráticas, libertárias e pacíficas criadas pela música:
No reino trumpiano há um princípio: um acordo nunca é respeitado. E não estou a referir-me às palhaçadas das negociações com o Irão, ou à palhaçada das taxas. Ou à americanização da ilusão bolivariana, que submeteu os seguidores de Bolívar aos interesses da Casa Branca e dos capitalistas texanos. Não. Estou a falar de um acordo nuclear entre os trumpianos EUA e a petromonarquia da Arábia Saudita, que abria caminho para o desenvolvimento nuclear civil saudita. Acontece que Trump suspendeu o acordo, porque quer que a Arábia Saudita reconheça oficialmente Israel, coisa que a Arábia Saudita não parece disposta a fazer.
No reino trumpiano há um princípio: um acordo nunca é respeitado. E não estou a referir-me às palhaçadas das negociações com o Irão, ou à palhaçada das taxas. Ou à americanização da ilusão bolivariana, que submeteu os seguidores de Bolívar aos interesses da Casa Branca e dos capitalistas texanos. Não. Estou a falar de um acordo nuclear entre os trumpianos EUA e a petromonarquia da Arábia Saudita. Acontece que Trump suspendeu o acordo.
Mas o que é de realçar nesta posição de Trump é a sua paixão pelo seu parceiro de crime Netanyahu. O acordo era uma porta aberta para a indústria estado-unidense, para a venda de equipamento à Arábia Saudita, mas o amor declarado entre os dois genocidas (Trump e Netanyahu) ultrapassa todos os lucros que possam estar sobre a mesa. O que transforma o America First, afinal, num America First After Netanyahu. Vamos ficar com Carla Bley:
E, para terminar, vamos «condensar o mundo num só grito» como escreveu Florbela Espanca. Aqui na voz de Luís Represas:
O cantor lusobrasileiro vive em Portugal desde 2012, considera surreais os problemas na Habitação, identifica uma tentativa, a longo prazo, de privatização da Educação e da Saúde e sublinha a necessidade de se sonhar com coisas que parecem impossíveis.
Uma não-tão-saborosa receita para a política identitária. Fácil de preparar, servida em pequenas doses, rende o suficiente para vários ciclos de indignação.