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27.07.2026 Hélder Verdade Fontes Cultura Política Sociedade Opinião

Exame à Nação - uma escolha múltipla difícil

Exame à Nação - uma escolha múltipla difícil

A maioria dos portugueses já não vê um exame à sua frente há uma série de anos. É pena, porque isso quer dizer que, assim que paramos de estudar, não voltamos a colocar à prova novos conhecimentos. A aprendizagem ao longo da vida (nomeadamente académica) é importante para que possamos manter uma adaptação a novos tempos, robustez de pensamento e até para o crescimento e realização pessoal. Infelizmente, por motivos vários, e muitos deles económicos, isso não acontece.

Por isso, devemos agradecer ao governo, e em particular ao Ministro da Educação Fernando Alexandre, por colocar um teste à frente dos portugueses. Contudo, por falta de tempo - ou melhor dito, de espaço nesta crónica -, não vamos poder responder a todas as perguntas. Foquemos, então, numa escolha múltipla, porventura a mais difícil de todas: porque é que tudo correu mal com os exames?

As opções em cima da mesa são:

A) incapacidade

B) inutilidade

C) incompreensão

D) trapalhadas

Bem avisei o leitor que esta pergunta era difícil. Todas as respostas parecem acertadas! Vejamos cada uma das opções, com calma, como se não fosse este o assunto mais importante do momento para milhares neste país, e como se as suas vidas não estivessem paradas por isto.

A vontade de rodear a primeira opção é tal que não haveria tremelique que desviasse a caneta. De facto, o mais difícil é ver algum tipo de capacidade em todo este processo. Seja a falta de capacidade de resolver um problema, seja a incapacidade de comunicar de forma adequada, a impreparação de Fernando Alexandre para o cargo de Ministro da Educação é mais do que evidente. Poder-se-ia dizer, até, que não tem mérito suficiente para o desempenhar. Para um governo que tanto diz promover a meritocracia, não se entende como tamanha falta de mérito passa incólume.

Seja a falta de capacidade de resolver um problema, seja a incapacidade de comunicar de forma adequada, a impreparação de Fernando Alexandre para o cargo de Ministro da Educação é mais do que evidente.

Na segunda opção há uma questão subjacente a todo este processo: era necessário fazer algo do género? Sim, a digitalização de serviços, inclusive de correcção de exames, é importante e um avanço que temos de fazer. Mas o que se vê é a inutilidade de resultados quando se tenta dar um salto maior do que a perna: o governo acaba por tropeçar e faz com que todos caiam. Os resultados dos testes pilotos ainda ficaram por esclarecer e não se percebe a utilidade em alargar o processo sem que haja a segurança necessária de que o processo corra bem. Segura só mesmo esta opção na escolha múltipla.

O que se vê é a inutilidade de resultados quando se tenta dar um salto maior do que a perna: o governo acaba por tropeçar e faz com que todos caiam.

A terceira é fácil de perceber, sobretudo porque não se percebe nada do resto. Há uma incompreensão sobre a origem dos problemas, os ziguezagues constantes, os prazos continuamente adiados. Nem Kafka teria escrito um processo tão complexo e incompreensível. Os meus professores sempre tinham razão quando diziam que metade de um exame é interpretação.

A última pode parecer um resumo das demais, mas não é bem assim. As trapalhadas têm valor por si só e não são mera síntese da incapacidade, inutilidade e incompreensão. Não tiremos mérito à capacidade para fazer asneiras, bem como a atirar para cima de outros as culpas dessas mesmas asneiras, sejam agrafos mal colocados, seja o escrutínio mais do que necessário. De trapalhada em trapalhada até... ao momento actual, que é a trapalhada final.

Todas as opções são excelentes. Creio que a resposta correcta é «todas as anteriores», mas infelizmente essa opção não existe. Ainda assim, e jogando pelo seguro, talvez seja melhor rodear todas as opções. Só assim é que podemos evitar que o chumbo de Fernando Alexandre e de Governo nos exames contagie o resto do país.

Hélder Verdade Fontes

Hélder Verdade Fontes

30 anos, engenheiro químico e mestre em filosofia e política económica. Faço muita coisa a tempo parcial, tento ser progressista a tempo inteiro.

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