Viva!
O tempo é de férias, mas no Progressistas.pt não podemos estar descansados enquanto o país for desigual; enquanto morrerem dezenas de mulheres por ano devido à violência de género; ou enquanto a Educação estiver entregue à total irresponsabilidade.
É neste contexto que, preocupada com o estado doentio da nossa democracia, a escritora Filipa Martins sublinha, em entrevista, que
a extrema-direita não quer acabar com as desigualdades sociais, porque as desigualdades sociais são aquilo que a alimenta. Eles não querem uma sociedade funcional, não querem uma sociedade igualitária, porque isso seria a sua morte. Tudo o que se faça contra as desigualdades diminui a extrema-direita.
E também lembra o veneno que mais mata em Portugal sem que os sucessivos governos resolvam o assunto de uma vez por todas:
O enquadramento legal da violência doméstica em Portugal é uma anedota. (...) Se vamos falar sobre os direitos das mulheres, vamos começar pelo principal crime em Portugal. Não é outro, é este: o feminicídio, a morte de mulheres em contexto doméstico, normalmente por pessoas próximas.
Ainda a propósito das violências que atingem, sobretudo, as mulheres, Maria João Faustino confronta-nos com o silêncio sobre a pornografia e, além de denunciar este assunto, coloca a dúvida essencial:
A pergunta fundamental não é se a pornografia conduz, direta e isoladamente, de forma causal e mensurável, à violência sexual; a questão é de que forma(s) a pornografia contribui para uma cultura que normaliza, sexualiza e promove a violência sexual?
Por entre o caos dos exames desencadeado por um Ministro em roda livre, Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor não deixa dúvidas:
A educação é a maneira mais fácil de controlar uma população, primeiro através da sua privação e depois da sua destruição, novamente, com a aparência de progresso, e de uma forma já não metódica, mas massiva. Tal consegue-se rapidamente sobrecarregando os professores com trabalho administrativo que a IA viria resolver, impossibilitando-os de ensinar, em todos os sentidos da palavra.
E Catarina Cerqueira, num texto-tese dedicado ao setor da Educação, sintetiza:
Há poucas coisas mais políticas ou ideológicas do que o debate em torno da visão que se tem para a educação, dos princípios e valores que guiam as reformas que se propõem.
Já Renato Bernardino retoma o assunto do negacionismo das alterações climáticas para desmascarar o discurso boçal da extrema-direita:
Quem fabrica deliberadamente a mentira deve ser responsabilizado – é possível e desejável. Quem nela encontrou ordem, segurança ou uma explicação confortável não pode, porém, ser simplesmente abandonado àqueles que o enganaram. Para dar esperança e motivação às pessoas, não basta dizer-lhes onde estão erradas. É necessário compreender o que as levou até ali, que segurança encontram nessa leitura do mundo e que futuro lhes podemos oferecer para que a abandonem sem sentirem que perdem tudo com ela.
E com Rui Peralta voltamos às ligações entre a realidade e a música, num misto de estado da nação e da nação do Estado, mas sem perder de vista problemas concretos:
Quando falo sobre a nação do Estado refiro, por exemplo, o tanque que é piscina e a piscina que é tanque num terreno de um polícia que, no momento, é ministro, mas que fez a piscina que é tanque e o tanque que é piscina, quando era polícia, não quando é ministro.
Como sempre, há muitos outros artigos no Progressistas.pt para ler, ver, descobrir e divulgar.
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Até breve!