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A Filosofia da Tecnocracia no Ensino Montenegrino
Há alguns dias, Naomi Klein falava numa entrevista sobre o fascismo detestar a criatividade, precisamente por prosperar no conformismo, uma característica decorrente da resignação perante as situações.
A educação, quando indústria em modo linha de montagem, é o terreno ideal para o florescimento de um autoritarismo nunca questionado, ainda que, conforme a profecia de Aldous Huxley, com a aparência da democracia.
Embora o governo de Montenegro não seja ideologicamente fascista, tem sido uma barriga de aluguer dum simbionte de extrema-direita, cujas políticas são uma fusão de populismo, racismo, colonialismo, mercantilismo e desesperante vazio, normalizando-as de uma forma que acabará na sua própria implosão, como aconteceu com o PP.
A criatividade exige liberdade de pensamento e estímulos que impulsionem novas formas de abordar a vida - em jargão marketeer, pensar fora da caixa - como elementos centrais na forma espontânea de vida das crianças e dos jovens em idade escolar.
Embora o governo de Montenegro não seja ideologicamente fascista, tem sido uma barriga de aluguer dum simbionte de extrema-direita, cujas políticas são uma fusão de populismo, racismo, colonialismo, mercantilismo e desesperante vazio, normalizando-as de uma forma que acabará na sua própria implosão, como aconteceu com o PP.
A educação é a maneira mais fácil de controlar uma população, primeiro através da sua privação e depois da sua destruição, novamente, com a aparência de progresso, e de uma forma já não metódica, mas massiva. Tal consegue-se rapidamente sobrecarregando os professores com trabalho administrativo que a IA viria resolver, impossibilitando-os de ensinar, em todos os sentidos da palavra. Prossegue-se a devastação através da burocratização dos processos, como está a acontecer com os exames, através da subjugação do pensamento a ferramentas digitais que mais não fazem do que constrangê-lo, capturando-o para tarefas kafkianas.
O misto de mistificação da tecnologia como resolução das pressões burocráticas criadas por tecnocratas, numa missão de desmantelamento dos resquícios da democracia transformada em representação mercantil, não é apenas ingerência; é parte da estratégia de autossabotagem para esvaziamento das responsabilidades políticas ao ponto de atingir um desespero com o fim de provocar a fuga – dos que o conseguirem – para os serviços privados.
A lógica é a mesma da do SNS ou da habitação, numa eternização de PPP onde o Estado arca com os custos e as empresas com os lucros, colonizando tão colossalmente todas as áreas de responsabilidade estatal que os meandros labirínticos impedem qualquer vislumbre de quem tem qual responsabilidade, quanto mais conseguir chegar à figura ou figuras responsáveis.
Essa blindagem do poder, comandado pela economia, remete-nos invariavelmente a um lugar de impotência, onde uma raiva sem direcção é dirigida contra as figuras na linha da frente desta guerra sem quartel, sejam os professores, os médicos, os imigrantes ou outros prestadores de serviços ao público como única face visível do minotauro que nunca encontraremos.
A lógica é a mesma da do SNS ou da habitação, numa eternização de PPP onde o Estado arca com os custos e as empresas com os lucros, colonizando tão colossalmente todas as áreas de responsabilidade estatal que os meandros labirínticos impedem qualquer vislumbre de quem tem qual responsabilidade.
É terrivelmente difícil, quando todas as forças nos empurram para o egoísmo, apresentado como qualidade essencial para vencer - olhemos CR7 - numa perspectiva de vida resumida à competição, conseguir ter o tempo, a energia e a clarividência necessárias para combater essa lógica e ainda fazer o esforço extra de colectivizar, sem nos sentirmos estupidamente vulneráveis e falíveis, isto para quem tem o privilégio de conseguir perceber o que sente.
A confusão gerada pelos mecanismos de poder aprisionados pelo único bloco regedor do mundo - o da ideologia suprema do capital - parece incompetência, mas é parte da estratégia para dominar os pequenos focos de resistência, cada vez mais isolados e condicionados a leituras pessoais da realidade, precisamente pelo alastrar da confusão.
Particularmente porque as crises agudas são cada vez mais numerosas, simultâneas e consecutivas e as gerações que nunca viveram livres do domínio digital têm menos responsabilidade na sua letargia do que as anteriores, que não compreenderam o que aí vinha, falhando em preservar espaços livres da supremacia tecnológica.
É gritantemente óbvio que, com a IA, estamos a cometer o mesmo erro.
O autor escreve sem usar o Acordo Ortográfico.
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