Viva!
Todos os dias percebemos que este é um tempo de enganadores, de vendedores de banha da cobra, de falsos profetas. O Progressistas.pt tem deixado isso bem claro e vai continuar a fazê-lo.
Movimentam-se de forma despudorada, às claras e nos bastidores, atacando as instituições com a falácia de que estão a defendê-las; corroendo a democracia sempre a partir de dentro; desferindo acusações a outros que são autênticas confissões do inconfessável.
Não estamos distraídos. Não tomamos o acessório pelo essencial. Não confundimos farsantes com pessoas genuínas.
Cabe aqui a famosa frase:
Podem enganar toda a gente durante algum tempo; podem enganar alguns o tempo todo; mas não podem enganar todos ao mesmo tempo.
Há tantas famílias e crianças que precisam com urgência de mudanças na licença parental e uma Iniciativa Cidadã tem realizado trabalho notável para que o panorama se altere. Porém, como sintetiza com indignação o texto de Beatriz Vasconcelos, todo o esforço desenvolvido tem sido sucessivamente boicotado com truques e golpes de secretaria por alguns na Assembleia da República:
Deixem-me repetir isto devagar, para que o absurdo assente: um país conseguiu recolher 52 mil assinaturas, em menos de 60 dias, aprovar uma lei na generalidade, ouvir quatro entidades diferentes e sobreviver a uma prorrogação de 90 dias, tudo isso, e chegou ao dia da votação sem uma folha de Excel.
O incómodo de Duarte Baião é outro, mas, tal como o de Beatriz Vasconcelos, é um incómodo de todos nós: o modo como, através de um disparate com uma tentativa de disfarçar que só agravou a situação, Jorge Palma e a Cultura foram outra vez tratados de modo indigno.
A Cultura não é um acessório cerimonial que se tira do armário para discursos de ocasião. É a memória colectiva de um povo. E a memória, como qualquer relação importante, exige intimidade, tempo, atenção e amor.
Ainda sobre um cantautor que não vamos esquecer, nada melhor do que uma viagem ao seu incrível percurso de vida musical para reafirmarmos que está sempre perto. E Rui Peralta assegura que assim será, escrevendo um texto recheado de canções.
Jorge Palma é um labirinto libertário, de uma rebeldia que arde sem se consumir. Na novela de Arthur C. Clarke os monges tibetanos quando chegam ao último nome de deus as estrelas do céu apagaram-se, uma a uma. Com o Jorge Palma, não. Cintilam e crescem. E hoje é mais uma que por lá brilha.
Com Susana Marques recuperamos o que disse uma juíza do Tribunal Constitucional, o comunicado que se seguiu da douta instituição e uma acumulação de dúvidas quanto àquilo de que se está à espera de forma incompreensível e com subterfúgios sem sustentação.
Não me venham com a cantiga de que em Portugal nunca se extinguiu nenhum partido e que é uma tarefa impossível. Desde o 25 de Abril, vários desapareceram por decisão do próprio Tribunal Constitucional.
Entretanto, no Brasil a caminho das eleições presidenciais, Beatriz Rey alerta para o efeito que irá exercer a falta de debates e de discussão pública das propostas dos candidatos:
Não é que os candidatos estejam escondendo o programa depois de eleitos. O problema é que não há debate nem cobertura de imprensa que amplie e critique esses programas. O resultado será um mandato em branco: quem ganhar poderá governar sem nunca ter sido cobrado por uma promessa específica.
Numa reflexão que oscila entre «o mundo da palavra, sólida e perene, e o mundo digital, fluido e imediato», Ozias Filho conduz-nos com habilidade por entre o poder da leitura e certas armadilhas atuais de alguma tecnologia. E conclui quase em jeito de profecia:
A Literatura sobreviverá não como relíquia do passado, mas como farol do futuro. Não como luxo de elites, mas como necessidade democrática. Não contra a tecnologia, mas através dela [...] A Literatura é uma necessidade imperativa. Ela não é apenas linguagem; é uma espécie de consciência, individual e coletiva. E talvez essa seja a sua maior força, e a nossa maior esperança.
Como sempre, há muitos outros artigos no Progressistas.pt para ler, ver, descobrir e divulgar.
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Até breve!