Viva!
No Progressistas.pt compreendemos bem como são, também no campo político, complexos e desafiantes os tempos que vivemos.
As notícias e as pistas que recebemos da atualidade internacional assumem, de um modo geral, uma configuração preocupante. Importa, por isso, analisar, refletir e apresentar diferentes perspetivas sobre aquilo que está a acontecer à nossa volta. Esta semana e nas próximas, as realidades alemã e brasileira, cada qual à escala dos respetivos atos eleitorais, serão alvos da nossa atenção.
A evolução dos acontecimentos no Brasil até às eleições presidenciais, cuja data da primeira volta é 4 de outubro, não traz certezas, antes envolve dúvidas. Beatriz Rey, que identifica muito bem as diversas questões em território brasileiro, inicia esta semana uma série de textos sobre a realidade política no país, explicando episódios e descrevendo personagens, assim como os seus contributos para a evolução do cenário inicial:
Uma lista de acontecimentos sequenciais praticamente resetou as eleições: agora, há a mesma chance de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reeleger ou de Flávio Bolsonaro (PL) ser eleito.
Por outro lado, num exclusivo da CartaCapital para o Progressistas.pt, Clarissa Carvalhaes entrevista Gil Durán, ex-porta-voz de Kamala Harris, candidata às últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, numa conversa que, a partir do seu livro sobre o assunto, The Nerd Reich, não deixa dúvidas quanto ao papel tenebroso da aliança entre o inquilino da Casa Branca e os multimilionários das empresas de alta tecnologia, além de apontar conclusões como esta:
O regime é extremamente impopular e está fracassando. Isto é uma catástrofe para o país, mas permitiu que os bilionários revelassem sua verdadeira face.
Por falar em fascismo, Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor lança um olhar de preocupação ao triunfo alcançado pela extrema-direita alemã nas regionais da Saxónia-Anhalt e não surpreende aquilo que aponta com desassombro:
Os problemas da Saxónia são afinal os mesmos problemas de toda a Europa envelhecida e decrépita, que permitiu a captura das instituições pelos centros económicos, conduzindo à quebra nos salários e no poder de compra, à crise habitacional, à destruição dos serviços públicos e infraestruturas, a uma sensação de abandono pelo governo central e à habitual procura de bodes expiatórios onde são mais visíveis e frágeis, como os imigrantes.
Ainda em relação às eleições regionais germânicas, mas com ligação direta ao ambiente político em Portugal, Rui Peralta constrói as pontes com o panorama cultural a que já nos habituou e explica:
A racionalidade da extrema-direita é estreita e focada num princípio único: desestabilizar e desacreditar a ténue democracia política.
Já Carina Calisto ergue a sua voz em protesto ao considerar que «uma política que se diz emancipatória não pode continuar a falar sobre pessoas com deficiência sem garantir que elas falem por si próprias. Não há justiça social real, nem combate efectivo ao capitalismo e ao capacitismo estrutural, enquanto a neurodivergência e a deficiência forem tratadas como notas de rodapé ou meras causas assistencialistas». E acrescenta:
Não haverá coesão social nem verdadeira emancipação enquanto a normatividade continuar a ditar quem tem direito a voz, a espaço e a uma vida com dignidade. A luta pela justiça social ou é de todos ou não é de ninguém.
Como sempre, há muitos outros artigos no Progressistas.pt para ler, ver, descobrir e divulgar.
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Até breve.