Viva,
A Cultura continua a ser desvalorizada, mesmo que seja a essência de cada uma e cada um de nós e, portanto, que seja a essência do país. Em estreia, a atriz Sara Carinhas escreve sobre a importância e o valor da casa-teatro, com todo o peso simbólico e prático do que representa para a Democracia, para a Liberdade, para a Igualdade e para a Diferença. No Progressistas.pt não esquecemos estes valores.
«Na casa-teatro dizemos o que fora dela não conseguimos. (...) E todas as pessoas têm direito a lá entrar. (...) Não há elitismo, não há bilhete para comprar, não é para bem comportados, para bem vestidos, bons malandros, bem-pensantes. Não há escuro, nem pedidos de silêncio antes do espectáculo começar. Não há separação entre o palco e a plateia. Há direito a resposta, desobediência, reparação. Pateadas, bravos, reboliço e celebração.»
Entretanto, numa escola perto de ti, o caos nos exames é outra marca da incompetência e da arrogância do Governo. A deputada Filipa Pinto constata os prejuízos que atingiram famílias, estudantes, professores e toda a comunidade escolar. E a principal conclusão é evidente:
«A Educação exige previsibilidade, fiabilidade e responsabilidade política. O que temos hoje é o contrário: improviso, opacidade e fuga às responsabilidades. A incerteza assola as escolas, bem como a suspeita de que se tudo correr mal, um governo de direita liberal como o que temos tirará a habitual solução da cartola: privatizar.»
No primeiro de uma série de seis ensaios, publicado pela primeira vez em maio de 2025, o escritor Osvaldo Alvarenga reflete sobre o regresso dos autoritarismos que ameaçam as democracia, socorrendo-se de Wilhelm Reich, Umberto Eco e Hannah Arendt. Porque
«o mal está na ausência de pensamento crítico, que se cala; no automatismo e no isolamento das câmaras de eco, que impedem as pessoas de confrontar diferentes perspectivas e desenvolver um julgamento moral sólido, contribuindo para a propagação de ideologias totalitárias. É nessa situação de total entrega ao regime que o mal se torna banal, cotidiano, impessoal, burocrático e… devastador.»
E numa leitura de «Hiperpolítica», de Anton Jäger, Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor orienta a sua análise com a já habitual perspicácia e clareza:
«Tanto causa como efeito, o fim dos laços sociais foi acelerado pela expulsão das famílias para os subúrbios em zonas concebidas para a supremacia do automóvel como extensão da propriedade privada. Assim terminaram os bairros às mãos dos centros de consumo, única democratização efectiva sujeita ao poder económico, e as auto-estradas e a TV acentuaram a desagregação social, cristalizada no abandono do voluntariado pelo trabalho, levando à acumulação de cargos, fantasma e legais, por parte das mulheres.»
Já Rui Peralta deixa bem vincado que o lazer é fundamental para a cultura da preguiça. No fundo, representa a recusa geral da chatice. E nada melhor do que escrever uma ode ao ócio (e propor quatro grandes canções para apurar a tua preguiça).
«A cultura da preguiça, essa práxis valorativa do ócio, de coisas simples e naturais, como o descanso, a desaceleração, o recreio, a cultura, conquista espaço e resiste, na actual sociedade. Perante uma cultura da eficácia, hiperprodutiva do tudo e do nada, opõe-se o Bem Estar, a criatividade, o imaginário. E faz-se jus ao conceito de preguiça.»
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