Praias privadas?!
A mera ideia é já uma aberração e contraria tudo o que sejam princípios constitucionais e democráticos.
Poderosas empresas e/ou famílias, sempre prontas para explorar aquilo que deve ser de toda a gente, representam um retrocesso a um tempo sombrio ao qual a Revolução nos garantiu que não voltaríamos. Porém, como escreve o Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor:
«a privatização de cinco praias da Arrábida recorrendo a um subterfúgio legal anterior à Constituição; a de alguns acessos na Comporta, recorrendo a seguranças; ou de outros, discretamente em Albufeira, é uma consequência natural do proxenetismo dos espaços comuns pelos consecutivos governos portugueses das últimas décadas e prossegue o contínuo desmantelar de todos os braços do estado social».
Entretanto, para quem ainda não tenha reparado, as alterações climáticas continuam a exercer efeitos devastadores, nomeadamente através de ondas de calor como aquelas que têm afetado, nos últimos dias, países como Portugal, Espanha, França ou o Reino Unido. O presidente da ZERO, uma das maiores ONG ambientais do país, fala sobre a moda em torno da IA e dos centros de dados ou como nos adaptarmos a ondas de calor. E ainda analisa a qualidade do ar para políticas ambientais no Parlamento, onde «já se respirou melhor».
Estamos todos entusiasmadíssimos com os centros de dados. Eu já assisti ao mesmo em relação ao hidrogénio ou à captura de carbono. Depois a onda chega lá acima e modera-se, porque nós percebemos os custos.
A propósito de perigos e de reformas que não o são, porque se trata de golpes contra o interesse público, o deputado José Carlos Barbosa deixa um alerta para aquilo que está a ser preparado na linha de Cascais.
Na ferrovia, a direita vende ao país a palavra 'reforma'. Mas aquilo que estão a preparar na linha de Cascais é outra coisa: subconcessões para entregar a privados, grupetas de trabalho e mais oportunidade para instalar os seus.
E, num novo texto que traça, de modo bem claro, o caminho de semelhanças entre realidades musicais de outros tempos e alguns «artistas» que procuram dar-nos música, mas sem talento, nem inspiração, Rui Peralta relembra:
Na Berlim de 1928, Brecht e Weill estreiam a Ópera dos Três Vinténs. Segundo as crónicas da época, a sala estava cheia. Tão cheia como cheios estamos, hoje, do Luís.
Atualidade e passado presente, sempre no progressistas.pt.