Viva,
No Progressistas.pt assinalamos o 10 de junho de uma forma diferente. Com irreverência e ousadia. Com memória e diplomacia, mas sem punhos de renda. Fingir e assobiar para o lado não é aqui.
Querem um exemplo? Pois então, não percam as palavras desassombradas de Ana Gomes a propósito de «combates contra a corrupção» que, de facto, são feitos de plástico; de «reformas estruturais» que nada têm de reformas e muito menos de estruturais; da prometida transparência que nunca sai da penumbra da opacidade; de pobres contra pobres; de explorados contra explorados; de imigrantes discriminados; de avultados investimentos estrangeiros sem que se conheçam as contrapartidas.
O país que hoje só celebra o feriado nacional, e que prefere lembrar apenas as virtudes sem deixar bem vincados os defeitos, está a ser feito de tudo o que acima fica dito e de muito mais. Por exemplo, do violento ataque aos direitos dos trabalhadores materializado no pacote proposto pelo Governo da AD.
Sobre os prejuízos e malefícios que esta malfadada iniciativa irá causar, muito tem sido dito e assim continuará a acontecer. Mas dificilmente haverá um conhecimento tão profundo como aquele que tem Yolanda Díaz, vice-presidente e Ministra do Trabalho e Economia Social de Espanha. A governante veio a Lisboa para o lançamento de um estudo sobre cerca de dez anos de políticas laborais e sociais na Península Ibérica e, ao lado de Ana Mendes Godinho, ex-Ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, não hesitou na classificação atribuída ao que está para ser discutido no Parlamento:
«A contrarreforma laboral não é um exclusivo português e usa o eufemismo da flexibilidade para disfarçar a precariedade. Peço que se mobilizem e não permitam que seja aprovada. E deixo uma mensagem de solidariedade com os sindicatos e com as pessoas que aqui saíram à rua para a contestar.»
Por falar em contrarreforma laboral e na contestação que justamente tem merecido, Rui Peralta propõe que se parta à descoberta daquilo que pode haver em comum entre uma greve geral e «Prometeo», trabalho icónico do compositor italiano Luigi Nono. Depois da homenagem que aqui trouxe a Sonny Rollins, lenda do jazz recentemente desaparecida, agora o caminho é outro, sempre com a música e o bom gosto como contexto.
Sempre com a inovação como proposta prioritária, há espaço para outras estreias. Hugo Filipe Lopes aka Cobramor apresenta a primeira recensão do Progressistas.pt, neste caso a «Girl on girl», obra de Sophie Gilbert que nos fala da misoginia no universo da cultura pop dos anos 2000.
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