Viva!
Ao contrário de outros, a fingirem que «não é não» ao mesmo tempo que seguem os temas e fazem acordos com a extrema-direita, chamando-lhes depois pomposamente «reformas», o Progressistas.pt identifica um vácuo enorme vindo dali.
São vazias as declarações como vazios são os comportamentos. São vazias as propostas como vazias são as ideias. São vazios os risos como vazios são os gestos. São vazias as encenações como vazias são as gritarias. O grau zero da política e do humanismo. Ou, como certa vez afirmou Francisco Rodrigues dos Santos, então líder do insuspeito CDS-PP, a propósito de quem está à frente da extrema-direita: «Um esquadrão de cavalaria à desfilada na sua cabeça não esbarra contra uma ideia.»
«O que vem da extrema-direita é de um vazio tremendo»: é assim, sem papas na língua, que o escritor Hugo Gonçalves analisa as intervenções e o comportamento oriundos daquela área. Em entrevista com Paulo Jorge Pereira a partir do seu mais recente romance, «O Império do Fim», problematiza questões que permanecem na sociedade portuguesa - a guerra que a ditadura conduziu em África e as respetivas heranças; a descolonização que falta fazer -, mas também as ameaças à democracia nos Estados Unidos e no Brasil. E, claro, a situação política que define a atualidade portuguesa. No fundo, está em causa uma questão de equilíbrio:
Há aqui um equilíbrio difícil entre combater quem quer destruir a democracia, vilificar o outro, que mente descaradamente e de modo mesquinho todos os dias, que reduz e destrói a empatia, incentiva o ódio, destrói a qualidade do discurso civilizado que conseguimos com o 25 de Abril e com a democracia, e não permitir que sejamos engolidos pelo crescente de ódio e de zanga.
A propósito de discursos de ódio, falta de empatia, a forma dramática como Maricarmen foi despejada para a morte em Espanha e até o caso Ronaldo, Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor traça o cenário real do que está a acontecer:
A audição no Parlamento sobre as questões LGBT ilustra na perfeição a nossa deficiência empática actual, quando a argumentação dos críticos dos direitos trans se fundamenta na aplicação do erário público e numa decrépita versão da moralidade cristã, afinal a sua perversão.
Com a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil no horizonte, Beatriz Rey deixa pistas bem claras para a forma como as interferências estão a acontecer, vindas das mais variadas origens, incluindo o próprio poder judicial.
Desde maio, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, vem tomando uma série de decisões que desequilibram a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O médico Pedro von Hafe escreve nesta plataforma pela primeira vez e logo coloca os problemas da Saúde no seu devido lugar, além de apontar os caminhos mais adequados quando está em causa uma das principais conquistas do 25 de Abril:
O que temos de defender é uma reforma do SNS e uma gestão pública muito melhor que a atual, de forma que não tenhamos de sustentar o lucro de grandes grupos privados de saúde, e, ao mesmo tempo, tenhamos uma eficiência máxima.
Já Rafaela Lacerda avisa para as ameaças de privatização que estão em curso contra o Serviço Nacional de Saúde ao mesmo tempo que critica o circo mediático gerado em torno do caso Cristiano Ronaldo na selecção enquanto noutros países europeus a discussão, materializada em protestos nas ruas, se fazia sobre questões como a crise na Habitação ou na Educação:
O Ministério da Saúde, em vez de reforçar o SNS com mais médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica, prefere gastar o dinheiro que deveria ser usado para tal na abertura de unidades de saúde privadas, fomentando, assim, o recurso aos privados, que sugam as fontes de financiamento alimentadas pelos contribuintes.
Não percas, ainda, o magnífico cartoon de ZezVaz!
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