Viva!
Domingo, dia 4 de outubro, há eleições presidenciais no Brasil. Todos sabemos o que está em causa e o Progressistas.pt tem deixado isso bem claro.
Face aos candidatos em confronto, é de retrocesso, atraso profundo, assalto à democracia, perda de soberania, submissão do último reduto essencial da América Latina aos interesses sombrios do atual ocupante da Casa Branca que falamos caso o bolsonarismo volte a mandar.
A esperança é que, na sua infinita sabedoria, os eleitores brasileiros tenham a lucidez suficiente para ser dada uma resposta à altura destes tempos conturbados, também no seu país. Fica um incentivo através da imortal música de Chico Buarque, «Apesar de Você», num registo ao vivo de 1974, em Roma, no Teatro Sistino.
Sobre o Brasil a caminho das eleições presidenciais, Beatriz Rey fala do efeito exercido pelas questões religiosas e acerca do episódio com a padroeira do país:
O episódio da Nossa Senhora Aparecida é um dos mais interessantes na Nova República por revelar duas coisas sobre a política brasileira. Primeiro, o conflito religioso é estruturante e mobiliza a identidade de um modo que outras disputas, como a de classe, não mais o fazem. Segundo, o campo bolsonarista está imune a pressões decorrentes de escândalos de corrupção, mas não a desvios religiosos.
Já a análise de Ana Paula Costa incide noutras direções e sintetiza, numa frase, a eloquência daquilo que está em causa num fenómeno simultâneo:
A eleição brasileira passou a ser atravessada por uma disputa geopolítica que se mistura com a disputa interna sobre democracia, soberania e instituições.
Pessoas e famílias destruídas? Um vício que se entranha de forma insidiosa e do qual é muito difícil escapar, sobretudo quando a publicidade nos persegue de múltiplas formas, nas ruas e na Internet, nos telemóveis e nos computadores, nos órgãos de Comunicação Social e no Desporto? A praga do jogo online está em toda a parte, mas Governo e restante direita na Assembleia da República optam, como bem descreve Rui Peralta, por outro caminho que não o da regulação deste universo sinistro:
O que interessa, realmente, [ao governo e à direita portuguesa] são as receitas, apimentadas com discursos sobre a liberdade de escolha e uma súbita surdez, que leva ministros e deputados das bancadas da direita a ouvirem «proibição de» quando se refere «regulação». Controlo de publicidade, protecção de menores, regulação de algoritmos, tudo são ruídos estranhos aos sensíveis órgãos auditivos da direita.
Para Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor, o alerta diz respeito à censura que a Meta está a exercer, sobretudo quando as referências envolvem a Palestina e o genocídio perpretado por um governo israelita em que a extrema-direita é quem mais ordena:
Se parte do plano passa por empolar a comunicação da machoesfera, da fachoesfera e da achoesfera num suporte autoritário, a face menos visível é o silenciamento da esfera oposta.
Com as palavras de Rafaela Lacerda voltamos ao Volta e aos efeitos «fogo de vista» que as encenações do autarca de Lisboa & Companhia continuam a organizar em vez de se preocuparem com os municípes, verdadeira prioridade de qualquer edil que se preze. A menos que o seu nome seja Carlos e o apelido Moedas:
O verdadeiro drama social é ter as associações de moradores excluídas do conselho municipal de habitação, no qual estão representados os construtores civis, os agentes imobiliários e os proprietários.
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