Viva,
Num período de verão que tem sempre a indelével marca das férias, era suposto que o país pudesse manter um rumo certo e não se arrastasse em ziguezagues penosos para todos nós. Mas, como não faltam golpes, golpistas e golpadas à nossa volta, tudo se torna muito mais complicado. No Progressistas.pt vamos dando conta disso.
Sem poupar na sua análise entre a realidade do dia a dia e as marcas da música, Rui Peralta tira o pó ao filme The Sting (um clássico das repetições na TV por cabo por estas alturas) e, qual Nolan com Homero, adapta-o aos desgovernos de hoje:
Este foi um golpito, uma técnica aprimorada pelo governo AD, especializada em golpadas com guiões que vão da novela ao romance, passando pela ficção científica e pelos contos policiais (o mistério do ministro) e de terror para crianças (como o recente comportamento do Ministério da Educação). Aliás, na Saúde, o golpe e a golpada tornaram-se diretrizes políticas e o desmantelamento do SNS marcha a todo o vapor.
Por falar em golpismos, lê o texto do Hugo Filipe Lopes aka Cöbramor e vais entender como «todo o partido de André é um inside job de necrófagos a banquetear-se dos restos putrefactos da democracia de Abril, polidamente ressignificada pelo mercado». E ainda que...
A verdade deixou não só de estabelecer linhas entre todos, mas tornou-se uma variável sujeita a interpretações pessoais, vítima da algoritmização do real.
No segundo de uma série de seis ensaios, neste caso publicado pela primeira vez em junho de 2025, o escritor Osvaldo Alvarenga explica que, embora nunca tenhamos vivido melhor no planeta, os recuos aí estão. Porque estamos a recuar um pouco por todo o lado, graças a uma série de golpistas:
Olhando em perspectiva, nunca vivemos melhor no planeta. Ainda assim, parece, estamos dispostos a arriscar parte dessas conquistas por uma ideia caduca de pátria e identidade. Não há um qualquer passado glorioso para o qual devamos querer voltar. Esse passado nunca existiu – não para a expressiva maioria de nós.
Numa reflexão sobre os modos como a política se aproxima dos jovens, Rodrigo Santos coloca uma série de questões, designadamente a respeito do papel desempenhado pelas redes sociais e dos golpes que podem desferir:
As redes sociais acabaram por tomar uma função que deveria pertencer ao sistema educativo: a de fornecer aos jovens informações acerca do sistema político e do processo democrático de forma imparcial. E é aí que se coloca a questão: conseguem essas plataformas ser imparciais?
E, para fechar, no rescaldo de mais um Acampamento pelo Barroso, fomos buscar o olhar de dois jornalistas italianos sobre a luta dos habitantes de Covas do Barroso contra a exploração de lítio a céu aberto que (continua) a ameaçar a região. Uma parceria com o Green European Journal. Esta frase é intemporal.
«Falam-nos de compensação, minimização, recuperação da paisagem. Mas a relação com a natureza é a única razão para viver num lugar tão isolado. Que desenvolvimento é possível para uma área onde ninguém quereria viver?», pergunta Nelson Gomes, presidente da Unidos em Defesa de Covas do Barroso.
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