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A política é uma trend
De que forma é que a política alcança os jovens? Uma simples frase que espoleta um debate tão maior do que a própria premissa. Desde os meus 15 anos que ganhei interesse pela política. Mas assim foi porque fui procurar, procurar saber mais sobre como funciona o sistema político em Portugal (e não só). E como será o paradigma para quem não faz essa pesquisa voluntariamente? O nosso programa de educação em momento algum inclui uma disciplina que eduque os jovens acerca de política, que lhes mostre as várias ideologias existentes de uma forma imparcial e puramente informativa. Existe apenas uma disciplina no 12.° ano - Ciência Política - que é opcional.
É neste cenário complexo que surgem as redes sociais. O crescimento frenético destas plataformas faz com que os seus criadores se tornem autênticos líderes de opinião, capazes de formatar a mente dos jovens e moldá-las de acordo com a sua vontade.
Vídeos de 30 segundos com uma frase marcante são o suficiente para formatar o seu pensamento. Poucos são aqueles que, após receberem estes conteúdos, vão fazer uma pesquisa aprofundada para averiguar a veracidade do que acabaram de ver; O resto deixa-se levar. Um simples clique no botão de share pode ter, atualmente, tanto poder como um tempo de antena eleitoral.
Mas desengane-se quem pensa que a política nas redes sociais encontra-se apenas difundida por pessoas individuais. Também os próprios partidos estão presentes. Se antes iríamos ao YouTube ou à TV para ver as sessões da Assembleia da República, hoje basta irmos ao TikTok. Da esquerda à direita, todos fazem uso desta que é a ferramenta mais poderosa do século XXI.
Vídeos de 30 segundos com uma frase marcante são o suficiente para formatar o seu pensamento. Poucos são aqueles que, após receberem estes conteúdos, vão fazer uma pesquisa aprofundada para averiguar a veracidade do que acabaram de ver; O resto deixa-se levar. Um simples clique no botão de share pode ter, atualmente, tanto poder como um tempo de antena eleitoral.
O palco das redes sociais tornou-se no novo terreno de batalha para a conquista dos jovens pela política. Estes espaços virtuais, outrora reservados para partilhar fotos e vídeos mais descontraídos, transformaram-se em verdadeiras arenas políticas, onde as ideias são lançadas em clipes de 15 segundos e debates complexos são resumidos em tweets de 280 caracteres.
Numa era em que parece estarmos em constante correria, ganham aqueles que conseguirem apresentar as suas propostas da forma mais sucinta e acessível. Não interessa se a conseguem desenvolver posteriormente nem se realmente falam a verdade. O que interessa é que a mensagem chegou. É isso que, no fundo, garante votos.
As redes sociais acabaram por tomar uma função que deveria pertencer ao sistema educativo: a de fornecer aos jovens informações acerca do sistema político e do processo democrático de forma imparcial. E é aí que se coloca a questão: conseguem essas plataformas ser imparciais?
Desde memes, quer com intenção de atacar opositores, quer como forma de difundir ideais, até vídeos com frases marcantes ou polémicas, acompanhadas do efeito thug life, são várias as tentativas de tornar a política algo cool e acessível para os jovens. Não se trata apenas de transmitir ideias, mas de criar uma narrativa cativante o suficiente para capturar a sua atenção com recurso ao bombardeio constante de informações.
As redes sociais acabaram por tomar uma função que deveria pertencer ao sistema educativo: a de fornecer aos jovens informações acerca do sistema político e do processo democrático de forma imparcial. E é aí que se coloca a questão: conseguem essas plataformas ser imparciais?
É inegável que as redes sociais democratizaram o acesso à informação política, mas também o é o desafio que representam para a formação de uma opinião pública informada e crítica. A questão, portanto, não reside apenas em tornar a política atrativa para os jovens, mas em garantir que essa atração se transforme numa participação realmente informada no processo democrático.
Rodrigo Santos
Mestrando em Jornalismo
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