Enquanto o Governo israelita de extrema-direita mata crianças, mulheres e homens, destrói casas, escolas e hospitais, tudo devastando numa fúria genocida contra os palestinianos, vozes de resistência erguem-se contra o silêncio e a indiferença da comunidade internacional.
Vozes como a do poeta, ensaísta e contista Mosab Abu Toha, autor de Coisas que poderás encontrar escondidas no meu ouvido: poemas de Gaza (2022, City Lights), obra que lhe permitiu conquistar o Palestine Book Award em 2022 e da qual o Progressistas.pt aqui faz pré-publicação, por gentileza da Traça Editora.
Deixamos aqui um trecho de um dos quatro poemas exclusivos que podes encontrar no nosso site.
O meu avô era um terrorista —
O meu avô era um homem,
um ganha-pão para dez,
cujo luxo era ter uma tenda,
com uma bandeira azul da ONU na haste enferrujada,
na praia junto a um cemitério.
Do outro lado do planeta, o Mundial de futebol, em que amanhã se estreia a seleção portuguesa, reforça a imagem exploradora da FIFA. Conforme escreve o Hugo Filipe Lopes aka Cobramor:
No Mundial do Qatar, não obstante as polémicas, a entrada mais barata era de 11 dólares, os bilhetes são agora 40 vezes mais caros. Situação louvada pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, como uma distinção, quando na realidade representa uma indiscutível forma de exclusão.
Este mês, o desaparecimento precoce de Marjane Satrapi, a rebelde que lutou contra a tirania e os assassinos do regime iraniano, batendo-se por todas as liberdades e, em especial, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres, surpreendeu o mundo. A autora e ilustradora Raquel Costa fala-nos, num texto emotivo e de grande beleza, da inesquecível influência exercida pela autora de Persépolis e de como a sua presença permanecerá para sempre.
É um legado poderoso, o poder de ver. Para dentro de um país, de uma sociedade, de uma família, de uma jovem mulher.
E sobre a importância de investir em Cultura e de adotar políticas públicas que estimulem, por exemplo, a defesa do livro em todo o país, escreve Matias Feijoo, sublinhando a relevância de espaços como bibliotecas e pequenas editoras independentes.
Quando uma pequena editora fecha, fecha um critério editorial que apostava no que mais ninguém arriscava.
Tanta coisa inédita para ler, sempre no progressistas.pt.