Viva,
Com o país sob nova onda de calor, e perante a boçalidade ignorante dos negacionistas do costume, Pedro Garrett, investigador em alterações climáticas, explica no Progressistas.pt o caminho para a mudança, apoiado em dados científicos e não nos dislates da temperatura que já se verificou em plena Amareleja no ano X ou Y.
«A evidência acumulada ao longo das últimas décadas não deixa margem para dúvidas: o risco climático deixou de ser uma ameaça futura para se tornar uma realidade presente. Portugal tem conhecimento, estratégia e exemplos positivos. O desafio está agora na consistência, na transformação de planos em ação e da antecipação em prioridade. Porque, se é verdade que não existe risco zero, também é verdade que a inação tem um custo cada vez mais elevado», escreve.
O racismo continua a ser marca indelével da sociedade portuguesa e Carlos Kangoma (Lucy) não vacila na identificação do que está em causa:
«Embora se tenha libertado a população da ditadura, mantém-se um cordão umbilical do saudosismo imperialista, uma concepção social dos 'heróis-do-mar', conquistadores expansionistas que levaram a civilização ocidental e o cristianismo ao longo do globo. Algo que, imediatamente na sua premissa, desumaniza os povos que foram invadidos, violentados, escravizados e vendidos como mercadoria durante o período dos 'descobrimentos' e comércio transatlântico de escravos.»
De forma desassombrada, Renato Bernardino indica que não é mera nota administrativa quando se fala sobre o risco de associações ciganas fecharem «por falta de uma nova Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas e por ausência de financiamento». No fundo,
«não estamos apenas perante um atraso burocrático, uma consulta pública adiada ou as linhas de apoio suspensas, ou sequer perante o embaraço de Portugal estar praticamente sozinho sem nova estratégia. Está em causa a possibilidade real de se perder trabalho acumulado, confiança construída devagar, pontes frágeis entre comunidades e instituições, mediação, apoio educativo, capacitação de mulheres, acompanhamento de jovens e presença pública cigana».
No Porto, o que foi projetado como uma espécie de cimeira da leitura, com uma série de autores consagrados, foi atingida pelo vírus da insensatez. O Hélder Verdade Fontes assistiu e conta:
«O que não foi nada acelerado foi o atraso de praticamente 1h30 para o início da sessão. E quando Byung-Chul Han, por fim, subiu ao púlpito e começou a falar em alemão, naquela que é a sua língua adoptiva, o público começou a vaiar. Aparentemente, o filósofo tinha sido o único ali a adoptar o alemão como língua. Talvez Byung-Chul Han saia do Porto com inspiração para escrever ‘A Sociedade da Incompetência’.»
O alerta que nos deixa Rui Peralta, entre muita música e uma realidade sombria, é bem o retrato dos nossos tempos.
«A Europa não é só festa, infelizmente. Os nossos velhos (e falsos, muito falsos, de uma falsidade parasitária que impôs o seu veneno na estrutura europeia) aliados, os EUA, estão a promover organizações autoritárias europeias, cujo objectivo é minar a coesão da UE e as conquistas até agora alcançadas, através do financiamento da extrema-direita europeia. O dinheiro de milhões de contribuintes estado-unidenses é canalizado para financiar estas organizações anti-democráticas, nacionalistas e os mais diversos grupos e movimentos regressivos e anti-europeus.»
Da parceria com o Green European Journal vem o artigo de Friederike Möller que nos fala de mais do mesmo na modernidade, ou seja, graves situações de desigualdade porque «nas comunidades de energia, há uma persistente sub-representação das mulheres. Estudos mostram que mais de 70% dos membros e mais de 83% dos conselhos de administração são do sexo masculino».
E não percas, já para a semana, a conversa-passeio AI que calor!, onde podes descobrir como enfrentar estas ondas de calor extremo sem stress. É já no dia 9 de julho, na Livraria Castro e Silva, em Lisboa. Inscrições abertas, carrega no evento abaixo para mais informações.
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