Viva!
Cada vez mais, deixamos que outros esfreguem as mãos de contentamento quando nos distraímos com aquilo que pouco importa. O Progressistas.pt não alinha nesse fenómeno de desatenção pública coletiva.
Não se consegue comprar casa ou pagar a renda e o Governo ainda agrava a situação? Discuta-se futebol. O Serviço Nacional de Saúde está depauperado e a ministra tropeça em si mesma? Venha daí o futebol. Os professores não têm condições salariais e de trabalho e os estudantes não têm professores? Organizem-se horas ininterruptas de painéis sobre futebol. A Caixa Geral de Aposentações engana-se nos pagamentos e agora decide cortar nas pensões, devidamente sustentada pela titular da pasta do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social? A receita é futebol. O Primeiro-Ministro, incapaz no dia a dia, é mais veloz do que a própria sombra a telefonar para um jogador, um treinador e um presidente federativo? Desde que haja futebol com fartura, tudo está bem.
Tudo está bem?! Nem pensar!! Não tomamos o acessório pelo essencial. E estamos atentos à delicada realidade do quotidiano que o Governo escolhe ignorar.
Não nos falta talento para adiar. Não nos faltam desculpas para deixar para amanhã o que poderia ser feito hoje. Mas a música ajuda a identificar os nossos erros e as nossas insuficiências. E, neste contexto, vale a pena relembrar o Movimento Perpétuo Associativo dos Deolinda...
Este sábado há manifestações nacionais porque o país está de rastos perante o insuportável aumento do custo de vida e a inércia do Governo. Rui Peralta compreende que a Habitação é um exemplo determinante nas nossas vidas e, invocando A Garota Não e Luca Argel, apela a uma resposta bem clara nas ruas e denuncia a dureza do que se passa:
Existem perto de uma centena de milhares de famílias em situação de carência habitacional. Uma grande parte vive em condições inadequadas, bairros e acampamentos informais, bairros degradados, sobrelotação, pouco ou nenhum acesso a serviços básicos e saneamento, condições de insalubridade e de risco para a saúde pública.
Para Renato Bernardino, pode não andar tudo ligado, mas pelo menos regionalização e produtividade são palavras que rimam. Os argumentos não oferecem margem para dúvidas:
A Constituição prevê regiões administrativas desde 1976 e seria desonesto garantir que, se as tivéssemos concretizado há décadas, seríamos hoje mais ricos ou produtivos. Podemos, porém, perguntar se cinquenta anos de instituições regionais, aprendizagem política e decisão territorial própria não nos teriam colocado noutro ponto.
Com Beatriz Rey voltamos à noite eleitoral do Brasil que proporcionou uma vitória ao candidato da extrema-direita na primeira volta. A caminho da segunda, agendada para o próximo dia 25, o aviso fica feito e não admite dúvidas.
Se esse novo arranjo vier acompanhado de menos pluralismo e de uma oposição com cada vez menos espaço para competir, não será apenas uma democracia diferente. Será uma democracia menor – ou talvez nenhuma democracia.
A estreia de Alberto Cunha no Progressistas.pt e a profundidade da sua análise possibilitam um olhar mais abrangente para o que têm sido as eleições regionais na Alemanha com a ascensão da extrema-direita como principal resultado. E, como de costume, não há explicação simples para factos complexos.
As queixas económicas, por si só, são insuficientes para explicar o apoio à AfD. A alienação política, o ressentimento cultural e a perceção de serem tratados como cidadãos de segunda classe continuam a ser fatores importantes.
No quinto de uma série de seis ensaios, neste caso publicado pela primeira vez em novembro de 2025 e agora atualizado, o escritor Osvaldo Alvarenga analisa os pontos de contacto entre o passado sombrio que mergulhou o mundo na barbárie e uma atualidade em que ainda há tempo de evitar uma repetição. Mas é preciso que sejam assumidas responsabilidades.
Ontem como hoje, o pragmatismo dos capitalistas, a presunção das elites urbanas, o corporativismo das lideranças políticas, a anuência (ou não) dos magistrados e a cumplicidade dos editores-chefes legitimam os partidos e a demagogia da extrema-direita.
E Rafaela Lacerda aponta para aquilo que está a acontecer bem à frente dos nossos olhos, perante a indiferença de tantos e a genuína preocupação de tão poucos:
Assistimos ao cada vez mais flagrante desmantelamento do SNS e à tentativa de convencimento da população de que ir ao privado é uma inevitabilidade.
Como sempre, há muitos outros artigos no Progressistas.pt para ler, ver, descobrir e divulgar.
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Até breve!