Olá. Desta vez, és o editor de ti próprio. Escolhe o título mais criativo que encontrares.
Podes não acreditar, mas achámos genuinamente que assim teríamos mais hipóteses de abrires esta newsletter (o mesmo truque de ótica que se usa ao destacar uma frase no texto). Afinal, apesar de sermos um projeto independente, também temos um olho - semicerrado, quase a cair no sono - posto nas subscrições, read rates, aberturas, KPIs, objetivos trimestrais de alcance e outras estatísticas em tons hiperconsumistas que quase fazem acreditar que um texto se mede em números (ou que um número se pode medir num texto).
Vamos fingir, por exemplo, que este título foi um pedido de Inteligência Artificial. Afinal, uma análise a mais de 770.000 podcasts e vídeos conclui que estamos a começar a falar no estilo do ChatGPT. Isto não é apenas uma casualidade estatística — é um forte sintoma de preguiça social. (Já reconhecem o estilo da frase anterior, não é?)
No Progressistas, somos mais artesanais. Aqui há texto em pão de massa-mãe, há móvel antigo de família restaurado sem óleo de cedro. Progressistas é filigrana frásica, é opinião IMAX gravada em película. É aquele par de brincos feito com um par de cerejas e dois clipes do economato que ninguém sente a falta.
Por isso, a escritora alemã Nina George - em parceria com o Green European Journal - escreve um texto fantástico sobre a necessidade dos humanos se manterem criativos perante a IA. Não sejam preguiçosos e leiam este até ao fim.
Quem depende da linguagem automatizada já não consegue falar por si próprio; perde a sua voz.
Numa prova desportiva, pode tudo ser perfeito, mas basta um minuto trágico para manchar tudo o resto. Foi o que aconteceu nesta Volta a Portugal, a maior prova portuguesa de ciclismo. O Duarte Baião, jornalista que já esteve várias vezes com a Volta na estrada, deixa uma reflexão importante.
A morte de Finlay Tarling foi uma horrível tragédia, mas pode ter sido também um espelho que reflecte um país onde continuamos a investir pouquíssimo na construção de uma cultura cívica exigente.
Uma pergunta de quiz: qual é a distância entre o Pontal (o pomar da direita portuguesa) e a Pontual (a fábrica de calçado encerrada em Vila Nova de Gaia onde os trabalhadores fazem vigílias à porta desde Julho)? Em cinco movimentos que rompem com o compasso do costume, o Rui Peralta explica.
No país do Pontal, todo pintado cor de laranja, o primeiro-ministro descreve as maravilhas do crescimento económico. Mas no país da Pontual, a realidade é outra. Ali os trabalhadores vivem num país que luta por manter as cores de Abril, um país que os que vão ao Pontal teimam em manter cinzento, para que só eles possam viver, prosperando, no pomar.
E longe de atirar acendalhas para o forno em lume brando que este Governo vai cozendo para si, vamos em sentido contrário. Cöbramor escreve sobre a constante precarização dos bombeiros voluntários, num país que arde todos os anos como se uma «época» de incêndios fosse algo de natural.
Enquanto se investe na prevenção e no combate aos incêndios, os bombeiros, principal meio em ambas as vertentes, continuam a desempenhar as suas funções em regime de voluntariado sem existir qualquer discussão honesta.
Barcos contra a corrente, temos também um elogio à Justiça. A jurista Mariana Vilas Boas escreve-nos sobre a boa reversão de uma decisão assustadora (palavras nossas) num caso grave. Em baixo, algumas das perguntas do acórdão original. Quando lemos, nem queríamos acreditar.
Sobre «a distância concreta a que estava da porta quando estava no sofá», se «achava normal deitar-se com um homem e nada acontecer [!]», se «ele está por cima de si, o que é que acha que vai acontecer» e dos «pseudo juízos de normalidade de que se concluiu que o normal seria ter gritado ou ter fugido».
E para fechar, nos tribunais mais imediatos das redes sociais, a Rafaela Lacerda dá uma nova perspetiva sobre a «polémica» da humorista Joana Marques com uma influencer, em defesa da aceitação social do autismo e da neurodivergência.
Lutamos diariamente para que o autismo seja aceite e a neurodivergência normalizada na nossa sociedade, para que não haja a distinção tão violenta entre o nós e o eles, já que a vida não deveria ser uma canção dos Pink Floyd.
Mais uns tijolos no muro Progressista que vamos construindo. Tens algum que queiras acrescentar?
Envia as tuas sugestões de textos ou colaborações para info@progressistas.pt
Até para a semana,