Viva!
O Progressistas.pt não fica em silêncio perante a disseminação de preconceitos, discriminações e discursos de ódio. É por isso que os denunciamos aqui, mesmo que proliferem gritos e ameaças de quem, sobretudo em lugares de poder, mas não só, não se cansa de vociferar disparates, em Portugal e no mundo.
Vivemos dias em que o mal reconquistou o espaço da banalidade, segundo o conceito cunhado por Hannah Arendt e desenvolvido no livro Eichmann em Jerusalém, sob o contexto do julgamento do nazi Adolf Eichmann, no início da década de 60.
Ser amorfo, não exercer qualquer espírito crítico, cumprir ordens e agir como autómato - claramente não é este o caminho.
Aqui, é de esperança, de democracia e de liberdade que se faz o trilho das palavras.
Ah, e de cartoons. Também temos cartoons.
Numa receita cheia de criatividade e imaginação, Renato Bernardino não deixa dúvidas quanto à forma como preconceitos e discriminações estão, cada vez mais, a fazer parte do nosso dia a dia perante a indiferença de tanta gente:
Talvez a primeira exigência de honestidade intelectual seja precisamente não obrigar um argumento a dizer aquilo que nunca disse. Criticar discriminação não é acusar todos os membros de uma maioria. Reconhecer consequências históricas não significa transmitir culpas por herança. Defender minorias não equivale a atacar maiorias.
Com Rui Peralta vemos, ouvimos e lemos uma associação com música entre o Carnaval de Notting Hill, a exploração das Caraíbas e de todo o mundo colonizado, assim como a grave situação no Afeganistão.
Ser mulher no Afeganistão significa estar proibida de frequentar parques ao ar livre, e ser obrigada a estar acompanhada por um guardião masculino quando sai de casa. É não ter livros escritos nas bibliotecas (foram retiradas todas as obras escritas por mulheres) e estar sujeita às chamadas «leis de moralidade» que restringem os direitos de falar, recitar ou cantar em público e ensurdecer com o silêncio da comunidade internacional. É suportar os decretos que impedem o direito ao trabalho e à educação.
Seguindo a par e passo a confusa evolução no Brasil a caminho das eleições presidenciais, Beatriz Rey mergulha no caos do escândalo com o Banco Master e ilustra a situação atual:
Isso acontece no momento em que a confiança no STF está em queda: uma pesquisa Quaest mostrou a desconfiança na Corte subindo 10 pontos em um mês, para 56% (mais alta que a rejeição ao Congresso ou à presidência). É nessa margem que o movimento completo – criticar os dois ministros ao mesmo tempo e se afastar do caso Master por inteiro – pode fazer diferença.
No quarto de uma série de seis ensaios, Osvaldo Alvarenga relembra que a desigualdade económica entre as nações já foi muito menor do que agora, e também como as teorias da conspiração se associam à ideia de Estados e líderes fortes, num texto publicado originalmente em 2025, mas atualizado agora.
Os temores reais – a desigualdade, a crise climática, o colapso das democracias liberais – parecem abstratos ou de compreensão difícil demais. Enquanto as teorias conspiratórias parecem mais acessíveis aos correligionários do «senso comum». Muito mais simples de assimilar, a solução viria com um Estado forte, sob um líder forte e carismático, capaz de vencer os inimigos internos e externos com performance agressiva e propaganda.
As palavras de Hélder Sousa são um alerta dedicado aos nefastos efeitos das alterações climáticas com um caso urgente, mas ao qual ninguém parece disponível para prestar a devida atenção:
Entre os próximos dias 5 e 8 de Outubro, em conjunto com as ilhas Fiji e a Austrália, Tuvalu vai receber um encontro de preparação e de antecipação da COP31. No caos da política internacional e com as preocupações dos governos (da União Europeia, dos Estados Unidos, da América do Sul, dos países asiáticos) orientadas para os conflitos em curso e para as suas implicações económicas, os gritos de socorro das pequenas nações do Sul soam a problema menor.
Como sempre, há muitos outros artigos no Progressistas.pt para ler, ver, descobrir e divulgar.
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Até breve!